Na escola do século XXI, é de pequenino que se programa o pepino

Cerca de 64 mil crianças aprendem, este ano letivo, programação e robótica, numa iniciativa da Direção-Geral da Educação (DGE) que pretende transformar o método de ensino nas escolas num mundo cada vez mais tecnológico.

O projeto que dá aos professores a possibilidade de ensinarem novos conteúdos, e ao qual aderiram 786 escolas públicas e privadas, estende-se agora até ao 9.º ano, depois de dois anos aberto apenas aos alunos do 1.º ciclo.

O diretor-geral da educação, José Vítor Pedroso, explicou à Lusa que são os próprios docentes das escolas que, contando com um acompanhamento permanente ‘online’ e vários encontros regionais com formadores, dão estas aulas.

António Silva, coordenador da iniciativa “Programação e Robótica no Ensino Básico”, sublinha que o objetivo não é formar programadores, mas fazer com a programação seja mais um método de ensino do que uma disciplina.

As atividades do programa, centradas nas temáticas de segurança digital, cidadania digital e multidisciplinaridade, podem ser dinamizadas na oferta complementar, nas atividades de enriquecimento curricular ou na oferta de escola, mas a intenção é que os professores de todas as disciplinas adotem a programação e a robótica.

“Queremos que os professores utilizem não apenas as metodologias tradicionais, mas que inovem com base nesta nova área”, contou o coordenador, apoiado pelo diretor-geral, que acrescentou o exemplo da criação de uma estação meteorológica, na disciplina de geografia.

Segundo José Vítor Pedroso, a aprendizagem destes conteúdos permite não só desenvolver o pensamento computacional, ao nível da algoritmia ou das sequências, mas também a capacidade de resolução de problemas, a resiliência e a utilização do método científico na abordagem a várias situações.

“Esta capacidade de análise é muito referida pelos próprios professores como uma vantagem do ensino da programação”, explica o diretor-geral que diz ter vindo a receber críticas muito positivas ao programa.

António Silva acrescenta ainda o desenvolvimento das competências para o século XXI, como a comunicação ou o trabalho de equipa, considerando que “estas ‘soft skills’ são, de facto, aquilo a que a escola hoje em dia deve dar cada vez mais resposta”.

Foi também a olhar para estas competências transversais que surgiu, no início de 2017, a HappyCode, uma escola de programação de jogos, aplicações e robótica, cuja missão é “formar pensadores e criadores do século XXI”.

“Queremos mudar mentalidades, mudar a forma de ver a tecnologia e ajudar a criar uma nova geração de portugueses aptos a ter sucesso num mundo cada vez mais tecnológico”, disse à Lusa Pedro Teixeira, diretor de operações.

A HappyCode tem cursos a partir dos sete anos e aos dez as crianças começam já a aprender conceitos e linguagens de programação que se ensinam na faculdade, um desafio que os professores procuram diminuir através de metodologias interativas.

“Cada novo conceito leva a uma aplicação ou a uma nova funcionalidade de um jogo”, explica o diretor de operações, contando que, por exemplo, ao final de seis meses no curso de aplicações, as crianças já conseguem criar um programa de mensagens instantâneas.

À semelhança da HappyCode, a Academia de Código Júnior é outro dos vários projetos que leva a programação às escolas.

Para Madalena Virtuoso, gestora do projeto apoiado pela DGE, este tipo de iniciativas permite que a tecnologia deixe de ser um quebra-cabeças e abre caminho para uma próxima geração de adultos “mais informada e com maior capacidade de se adaptar”.

No mesmo sentido, António Silva considera que é cada vez mais importante que a escola se adeque aos desafios da sociedade.

“Estamos em crer que as áreas da programação e da robótica poderão dar resposta a muitos dos desafios que os alunos de hoje e os homens e mulheres de amanhã irão encontrar no futuro”, sublinhou.

O diretor-geral, José Vítor Pedroso, acrescenta que este projeto é, inclusive, importante para dar resposta àquilo que foi desenhado como o perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória, publicado no dia 26 de julho.

Pedro Teixeira elogia a introdução da programação no ensino básico, mas admite que ir além dos conteúdos básicos não é possível. “É difícil ensinar programação sem saber efetivamente programação e em Portugal não há recursos humanos”, lamenta.

Além das 786 as escolas públicas e privadas envolvidas na iniciativa da DGE, outras 235 escolas estão a participar no projeto de autonomia e flexibilidade curricular, nas quais estes conteúdos estão integrados na disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação.

No ano letivo de 2017/2018, a “Programação e Robótica no Ensino Básico” vai chegar a 64.692 alunos.

Nesta iniciativa, a DGE conta com o apoio da Associação Nacional de Professores de Informática, Microsoft, Escola Superior de Educação de Setúbal e Universidade de Évora e Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Texto escrito no âmbito do estágio na Lusa

Publicado em Diário de NotíciasTSF e Sapo 24

Fotografia: Unplash

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